A Escola Superior de Gestão e Contas Públicas (EGC), vinculada ao Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCMSP), promoveu, na quinta-feira (1º/10), um seminário presencial no seu auditório para tratar do tema "Envelhecimento da população brasileira: desafios e perspectivas para as Políticas Públicas". O evento reuniu especialistas e contou com presença de alunos da pós-graduação da EGC, além de profissionais do direito e membros de conselhos de políticas públicas, para debater as respostas do Estado diante do rápido envelhecimento populacional do país.
A mesa de debates destacou uma abordagem interdisciplinar, articulando dados estatísticos, geotecnologias, saúde preventiva e assistência social para construir caminhos que garantam os direitos e a qualidade de vida da população idosa.
A abertura dos trabalhos foi conduzida pelo mediador Silvio Gabriel Serrano Nunes, que contextualizou a relevância do debate para a administração pública atual. Segundo sua avaliação, "o envelhecimento populacional não é uma projeção para o futuro; é uma realidade do presente que impõe uma revisão profunda na atuação do Estado. O papel da Escola de Contas é justamente fomentar esse diálogo crítico entre o conhecimento científico e a formulação de políticas que sejam efetivas, inclusivas e fiscalizáveis."
O primeiro palestrante convidado a se apresentar foi o professor Humberto Miguel Garay Malpartida, especialista em demografia, e análise estatística, e professor associado da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), que trouxe dados atualizados sobre o ritmo da transição demográfica no Brasil. Malpartida alertou para o fato de que as janelas de oportunidade para o planejamento urbano e previdenciário estão se estreitando com o avanço do tempo.
"O Brasil está envelhecendo a passos muito mais rápidos do que os países europeus envelheceram no século passado. Precisamos de projeções populacionais precisas para que os municípios saibam exatamente onde investir, seja adaptando o transporte público ou redesenhando os espaços urbanos para a acessibilidade", explicou ele.
Dando sequência às palestras, a fisioterapeuta e especialista em saúde pública e gerontologia, Roberta Lima, direcionou o foco da discussão para a prevenção de doenças crônicas e o conceito de envelhecimento ativo. Lima reforçou a necessidade de uma mudança estrutural no modelo de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
"Não podemos focar apenas no tratamento da doença na fase aguda. As políticas públicas de saúde e assistência social precisam caminhar juntas, priorizando a atenção primária, as práticas de cuidado contínuo e a promoção da autonomia do idoso. Envelhecer com dignidade exige uma rede de proteção social integrada e preventiva", enfatizou.
Fechando as apresentações da noite, o pesquisador Eduardo de Rezende Francisco, professor de GeoAnalytics e Data Science da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), demonstrou como a tecnologia pode ser uma aliada estratégica dos governos para questões de envelhecimento da população. Para isso, convidou o professor Rubens de Almeida, mestre em Gestão e Políticas Públicas pela FGV EAESP, e juntos mostraram a Plataforma Longeviver, um observatório de dados e conjunto de ferramentas sociais criado para apoiar políticas públicas voltadas ao envelhecimento populacional e ao desenvolvimento socioeconômico no Brasil.
"A ciência de dados e o mapeamento geográfico nos permitem cruzar dados socioeconômicos e de saúde para identificar onde estão as maiores vulnerabilidades da população idosa nos bairros. Com ferramentas de geotecnologia, o gestor público deixa de agir no escuro e passa a direcionar recursos de forma cirúrgica e baseada em evidências reais", ressaltou Francisco.
Ao final do encontro, os palestrantes reforçaram que o sucesso das políticas públicas voltadas à longevidade depende da articulação entre o conhecimento acadêmico, a gestão pública e a participação da sociedade civil. Essa atuação conjunta é fundamental para promover um envelhecimento digno, com autonomia, inclusão e qualidade de vida.
Mediador Silvio Gabriel Serrano Nunes
Professor Humberto Miguel Garay Malpartida, especialista em
demografia, e análise estatística, e professor associado da Escola de Artes,
Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP)
Fisioterapeuta e especialista em saúde pública e gerontologia,
Roberta Lima
Pesquisador Eduardo de Rezende Francisco, professor de GeoAnalytics
e Data Science da Escola de Administração de Empresas de São Paulo
da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP)
Professor Rubens de Almeida,
mestre em Gestão e Políticas Públicas pela FGV EAESP