Na última terça-feira (13/10) aconteceu o evento “O Estado em Movimento” que deu início às comemorações dos 30 anos da Escola Superior de Gestão e Contas Públicas do TCMSP. A conversa do dia teve o intuito de responder à pergunta “Como responder aos desafios de um mundo em transformação?”.
A abertura do evento foi conduzida pelo presidente TCMSP, conselheiro Domingos Dissei, que parabenizou a evolução da escola ao longo de seus 30 anos de história. Em sua fala, ressaltou o reconhecimento prestado por outros Tribunais de Contas Municipais à excelência do trabalho promovido pela instituição. O presidente fez questão de parabenizar especialmente o diretor-presidente Ricardo Panato e o conselheiro supervisor João Antonio da Silva Filho pelo excelente trabalho desempenhado à frente da direção da EGC.
Em seguida, o conselheiro vice-presidente Ricardo Torres destacou a relevância de se comemorar o marco dos 30 anos da escola. O vice-presidente prestou reconhecimento a programas de grande impacto social promovidos pela EGC, tais como o PJSC, a Revista Simetria e as importantes parcerias oficializadas ao longo desses anos.
Em sua fala, o conselheiro João Antonio agradeceu o apoio ferrenho dos conselheiros Domingos e Ricardo Torres em relação à escola, bem como ao diretor-presidente da EGC pela presença e liderança da instituição, citando também a presença de diretores de diversos setores. Em sua reflexão, defendeu que o conhecimento é um patrimônio para a sociedade que não deve sofrer qualquer tipo de discriminação, enfatizando o papel crucial da EGC para o Tribunal. Segundo ele, o órgão não pode ser voltado apenas para si, e a escola atua aproximando o Tribunal dos cidadãos, democratizando o conhecimento e transformando saberes técnicos em exercícios da cidadania, reafirmando que a escola não pertence apenas ao Tribunal, mas é, antes de tudo, um patrimônio da sociedade paulistana. Também apresentou alguns números expressivos alcançados em 2025, destacou a marca de mais de 15.000 inscritos nos cursos disponibilizados e a oferta de quatro cursos de pós-graduação.
O diretor-presidente da EGC, Ricardo Panato, também expressou seu agradecimento pela presença dos conselheiros e de todos os participantes no evento. Na sequência, conduziu uma breve apresentação da estrutura e das realizações da escola, ressaltando os cursos de pós-graduação, os cursos de extensão, o Observatório de Políticas Públicas, o Laboratório de Inovações, a Revista Simetria e os programas Jovem Monitor Cultural e Jovem no Controle Social.
A aula magna foi proferida pela professora de Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Gabriela Lotta, em uma edição especial do projeto Tardes de Conhecimento, da AudTCMSP. A palestrante destacou a relevância da Constituição Federal, relembrando seu contexto histórico de redemocratização do Brasil pós-ditadura e afirmando que “vários países do mundo vieram aprender como fazer controle social com a gente, por meio da nossa Constituição”.
Lotta apontou os significativos avanços do país nesses 40 anos de vigência constitucional, incluindo a redução da pobreza, da mortalidade infantil e do analfabetismo por meio da implementação de políticas públicas, mas ressaltou os problemas que ainda persistem. De acordo com a professora, apesar da queda do analfabetismo, 5% da população ainda não sabe ler, fato que classificou como “vergonhoso em um tempo de inteligência artificial”, e que menos de 60% dos brasileiros possuem acesso a saneamento básico de qualidade. Ela revelou, ainda, que “o Estado cresceu, avançou muito, mas continua incompleto e desigual”.
A programação seguiu com uma roda de conversa que reuniu gestores e gestoras e especialistas para refletir sobre o papel das escolas de governo diante da complexidade da gestão pública contemporânea. Sob a moderação da chefe de gabinete da EGC, Danielle Belo, o diálogo destacou que essas instituições precisam transcender a função de capacitação técnica, estabelecendo-se como verdadeiros ecossistemas de conexão entre governo, sociedade civil e órgãos de controle para viabilizar soluções sistêmicas.
Um dos pontos centrais da discussão foi a necessidade de uma mudança pragmática na avaliação das ações formativas. Os convidados realizaram uma autocrítica coletiva sobre a transição de métricas focadas puramente na conformidade e em números quantitativos, como quantidade de alunos ou cursos, para um modelo voltado à mensuração do impacto real produzido na prática da administração pública e na vida do cidadão.
Para enfrentar os desafios de um mundo em rápida transformação, Flávia Lacerda, do Instituto Serzedello Corrêa do Tribunal de Contas da União (TCU), Bibiana Camargo, da Escola Paulista de Contas Públicas do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP), e Ricardo Panato enfatizaram a grande importância da atuação em rede, como a do Instituto Rui Barbosa, que permite o compartilhamento de boas práticas. Bruno Martinelli, da Escola Municipal de Administração Pública de São Paulo (EMASP), reiterou a experiência da escola na atuação como uma plataforma que integra saberes pedagógicos e técnicos para apoiar áreas de referência em seus processos de mudança.
Para João Vitor Domingues, da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), o papel das escolas de governo é atuar como agentes capazes de criar as condições para a mudança sistêmica, perante problemas complexos, e ir além do aprimoramento individual dos servidores. O consenso final foi de que o futuro das escolas depende da sua capacidade de humanizar a gestão e de se manterem como espaços abertos ao diálogo, à experimentação e à inovação segura e juridicamente amparada.
O evento está disponível na íntegra no canal do YouTube da EGC.
Domingos Dissei, conselheiro presidente do TCMSP
Ricardo Torres, conselheiro vice-presidente do TCMSP
João Antonio da Silva Filho, conselheiro supervisor da EGC
Ricardo Panato, diretor-presidente da EGC
Gabriela Lotta, professora de Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas (FGV)
Danielle Bello, chefe de gabinete da EGC
Bibiana Camargo, da Escola Paulista de Contas Públicas do
Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP)
Por videoconferência, Flávia Lacerda, do Instituto Serzedello Corrêa do Tribunal de Contas da União (TCU),
e João Vitor Domingues, da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP)
Bruno Martinelli, da Escola Municipal de Administração Pública de São Paulo (EMASP)