Na quinta-feira (22/10), em mais um evento em comemoração ao aniversário de 30 anos da Escola Superior de Gestão e Contas Públicas (EGC) do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCMSP), a instituição organizou uma nova edição dos Encontros Plurais, que misturou arte, literatura e reflexões sobre cidadania. A iniciativa abriu as portas do Tribunal e ampliou o acesso da população à arte e à cultura, transformando o auditório da EGC em mais um equipamento cultural na cidade.
A jornalista Maria Angélica Fernandes conduziu a conversa com o ator, diretor e professor Odilon Esteves, conectando a trajetória do convidado aos direitos humanos e às políticas públicas. A chefe de gabinete do conselheiro João Antonio da Silva Filho, e coordenadora do Grupo de Trabalho Gênero do Observatório de Políticas Públicas, destacou a relevância de levar discussões plurais para dentro das instituições. Ela lembrou que, ao pautar a igualdade de gênero enfrentou certa resistência no começo, mas virou um marco na relação com a cidade, aproximando a instituição das mulheres, que são maioria em São Paulo, e ainda enfrentam desafios para ter seus direitos e interesses plenamente representados. Por isso, reforçou que "o Encontros Plurais é um convite à escuta, à troca de experiências e ao reconhecimento da diversidade das ideias e perspectivas".
Durante o bate-papo, Fernandes refletiu como a arte e a educação ajudam a transformar as pessoas em cidadãos mais conscientes. Ao relacionar as falas de Odilon Esteves sobre memória e empatia com o trabalho do setor público, ela lembrou que a gestão da cidade precisa olhar para as pessoas que pagam seus impostos e mantém tudo funcionando. Segundo a jornalista, promover esse tipo de encontro mostra que a EGC deseja formar gestores que enxerguem a administração pública para além de planilhas e números, colocando a dignidade humana e a justiça social em primeiro lugar.
A edição do Encontros Plurais com Odilon Esteves abordou o poder da literatura e do cinema na formação da nossa sensibilidade. Ao relembrar a infância em Minas Gerais, Odilon contou como os livros o ajudaram a superar os pesadelos causados por programas policiais que assistia na TV na época da escola, destacando que "quem estourou os cativeiros desses sequestros na minha mente não foi a polícia, foi a minha professora de literatura da quinta série".
A entrevista seguiu falando sobre diversidade, representatividade e o papel social da arte. Ao recordar sua atuação na minissérie Queridos Amigos, o ator falou sobre empatia e comentou sobre os avanços e transformações no audiovisual em relação ao espaço para artistas transgênero.
A memória política do país também entrou em pauta ao citar o filme Batismo de Sangue, no qual interpretou um frade dominicano que resistiu à ditadura militar, ressaltando o papel da arte em não deixar a história ser esquecida.
Na segunda parte da noite, Odilon encantou a plateia com a palestra cênico-literária Para abrir outras janelas, recitando textos de Clarice Lispector, Cecília Meireles e Eduardo Galeano.
Jornalista Maria Angélica Fernandes, chefe de gabinete do conselheiro João Antonio da Silva Filho
e coordenadora do Grupo de Trabalho Gênero do Observatório de Políticas Públicas
Odilon Esteves, ator, diretor e professor