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Assessoria de Imprensa, 21/09/2018

A Escola de Contas do TCMSP realizou na manhã da última quinta-feira (20.09) a palestra "Tarsila: vida e obra". O evento reuniu a curadora do legado da artista, Tarsila do Amaral (Tarsilinha), e o engenheiro e assessor do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, Guilherme Estanislau do Amaral, ambos sobrinhos-netos da pintora, para contar experiências pessoais e profissionais de uma das figuras mais importantes do movimento Modernista no Brasil.

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Natural de Capivari, interior do estado de São Paulo, Tarsila do Amaral, nascida em 1° de setembro de 1886, passou toda sua infância na fazenda, fato que garantiu estilo às suas obras, expresso, por exemplo, no quadro A Caipirinha (1928). "Essa arte conta um pouco da infância dela, brincando com bonequinha de mato", lembrou Tarsilinha.

A artista começou a estudar artes plásticas em 1913, começando pela escultura e, em 1913, ingressando no desenho e na pintura, com Pedro Alexandrino, até que em 1920 entrou na Academia Julian, de Paris. "Por estar em uma academia que aceitava mulheres, esta instituição era considerada avançada para a época", comentou a palestrante.

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Após separação do primeiro casamento, do qual nasceu sua única filha, Dulce, Tarsila protagonizou o romance mais importante do movimento modernista, com o escritor Oswald de Andrade. Os dois participaram do Grupo dos Cinco, composto por Mário de Andrade, Menotti Del Picchia e Anita Malfatti. "Ela muda completamente o visual depois de Oswald de Andrade, isso vai se refletir em sua arte também", afirma Tarsilinha.

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Foi nos anos 1920 que Tarsila ficou conhecida no Brasil e no mundo por seu quadro A Negra, obra cubista com traços brasileiros que discute a questão do trabalho escravo somado à maternidade. Em 1928 nasce a obra brasileira mais importante: Abaporu. "Para mim, o Abaporu é um autorretrato da Tarsila. É uma obra de amor ao Oswald de Andrade", avaliou a curadora.

A primeira exposição de Tarsila no Brasil aconteceu em São Paulo, em 1929. Já em 1933, a artista pinta Operários, quadro de cunho social, feito depois de uma decepção com o Comunismo. "Ela ficou sensibilizada com a causa operária", disse Tarsilinha, lembrando que a época era a de Getúlio Vargas.

Tarsila foi acometida por um tumor na coluna, e a operação para extraí-lo acabou deixando-a paralítica, mesmo assim, como atestam os sobrinhos-netos, nunca reclamou da vida. "Depois da cirurgia ela passou o resto da vida fazendo fisioterapia. As pessoas tinham até medo de falar que ela não voltaria a andar", ressaltou o engenheiro Guilherme Estanislau do Amaral.

Por fim, a sobrinha-neta de Tarsila mostrou um poema que Drummond fez em homenagem à artista.

"Tarsila,
A mais elegante, a mais sensível das parisienses...
Tarsila,
Nome Brasil, musa radiante...
Tarsila, amora, amorável, D'amaral,
Prazer dos olhos meus onde te encontres,
Azul e rosa e verde para sempre"

 


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